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Amor concurseiro

Eles se conheceram estudando para concurso ou no serviço público e foram felizes para sempre

12/06/2017 - por Ana Laranjeira

Entre livros e suspiros
Estudar ou se apaixonar? Não é preciso necessariamente escolher. Tem aqueles que conseguem unir o útil ao agradável e passam a dividir não apenas conhecimento, mas uma vida inteira de conquistas

Há quem diga que o destino de um concurseiro é viver na solidão durante o período de reclusão para os estudos. É bem verdade que a dedicação aos concursos exige tanto tempo e atenção que pode se transformar na única paixão e companhia de um estudante. Mas o poeta e compositor Tom Jobim eternizou em música a célebre verdade de que “fundamental é mesmo o amor. É impossível ser feliz sozinho”. E isso ninguém pode negar. Muitos concurseiros sofrem por se sentirem sós.

A dificuldade em conseguir uma companheira ou companheiro nesta fase da vida acontece principalmente porque é complicado, para quem não está imerso no universo dos concursos, entender as ausências e mudanças de humor daquele outro que está completamente entregue aos estudos. Concurseiros em tempo integral ficam com os sentimentos à flor da pele, só falam em estudo e matéria. Se o casal não estiver na mesma sintonia, o relacionamento naufraga. É uma situação bastante complexa.

NO MESMO BARCO 
“O que a vontade de ser funcionário público uniu, o homem não separa”. Religião à parte, a brincadeira é espirituosa. Afinal, duas pessoas com objetivos, planos ou carreiras semelhantes parecem ter maiores chances de sucesso na hora de compartilhar entre si os sentimentos e a vida. Nada mais normal, já que, a princípio, possuem os mesmos interesses.

Partindo desse ponto, a descoberta do grande amor, aquele para a vida toda, pode surgir em meio aos livros, grupos de estudo para concurso ou mesmo exercendo a carreira no órgão público para o qual a aprovação foi certeira. Guilherme Ribeiro e Vivian Delgado são um exemplo. Três anos atrás, ambos estavam empenhados em passar no concurso dos sonhos. Ele, formado em publicidade e desiludido com a profissão, procurava vaga em um cargo administrativo de Tribunais. Ela, formada em Direito, estudava para magistratura. Os dois cumpriam, separadamente, um rigoroso horário de estudos onde parte dele era dedicada à leitura de livros e resolução de questões. Foi assim que eles se encontraram e se juntaram, no silêncio da biblioteca da Universidade Federal do Maranhão (UFMA).

“Coincidiu que a Vivian ia estudar na biblioteca no mesmo horário que eu. Todos os dias nos víamos de longe, mas cada um se concentrava em sua matéria e não conversávamos. Mas eu prestava atenção nela (risos)”, conta Guilherme. Após quatro meses se encontrando quase diariamente, mas sem contato, ele tomou coragem de pedir uma caneta emprestada e aproveitou, logicamente, para perguntar o que ela estudava todos os dias. Das primeiras perguntas surgiram muitos outros assuntos e, além dos telefones, trocaram dicas interessantes de materiais de estudo. “Me apaixonei pela inteligência dela”, diz Guilherme.

Esse foi apenas o começo de uma história que deu até em casamento! No primeiro semestre do ano passado, Guilherme foi aprovado em um dos seis concursos que prestou e a comemoração foi em grande estilo, pois, cinco meses após a homologação, ele se uniu à Vivian em matrimônio. Ela continua tentando a aprovação, sabendo que tem o apoio do marido. “Tento deixá-la bem segura, sugiro estratégias de estudo, entendo o stress que antecede as provas, e sei que o cargo para o qual ela se prepara é muito mais difícil, exige muito mais, e vai levar mais tempo para passar. Vou estar aqui para comemorar com ela”, diz ele com carinho.

TUDO JUNTO 
O cenário da história de Thomaz Freire e Analice Uchôa foi parecido, mas intermediado por amigos “cupidos”. Eles estudavam em grupos que se encontravam na Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) todos os dias. Todos faziam tudo junto. Conversavam sobre os concursos, iam almoçar juntos, viajavam juntos para fazer provas e ainda sobrava tempo para a paquera. “Concurseiro é carente demais! A gente não faz mais nada fora estudar, não tem dinheiro, precisando de apoio... A pessoa tá aqui estudando, mas tá paquerando também (risos)”, afirma Thomaz.

Ele estudava para procuradoria e Analice para tribunais do trabalho. Passaram um ano compartilhando a mesma rotina até perceberem que queriam dividir mais do que os livros. Os amigos ajudaram e plantaram a semente necessária para nascer dali um grande amor. “De mãos dadas, tudo fica mais fácil. Incentivávamos um ao outro, cobrávamos do outro estudar, dividíamos as mesmas angústias e tudo isso só nos uniu ainda mais”, conta Thomaz. A sintonia era tão grande, que Analice desistiu de se preparar para tribunais do trabalho e começou a sonhar o mesmo sonho do namorado, trabalhar na procuradoria. E conseguiu. Hoje é procuradora federal. Ele passou no Tribunal de Justiça de Pernambuco.

Nessa levada, o casal já completou cinco anos de namoro, rumo ao casório. “Analice é uma pessoa do bem, que me faz bem. Digo que ela não tem pulmão, só coração. Já sou funcionário público, mas continuo estudando para passar na procuradoria, e como ela já passou por tudo que eu estou vivendo, tem uma compreensão absurda”, ele comenta.

AMOR DE NOVELA   
Sabe aquelas tramas novelescas em que os protagonistas se odeiam e brigam no começo da história, mas depois, como um tipo de mágica, todo o sentimento se transforma em amor louco e verdadeiro? A vida real roubou o roteiro e traçou os caminhos da defensora pública e do procurador da república, Natália e Carlos (a pedido, os sobrenomes serão ocultados).

A recifense Natália passou no concurso para Defensoria Pública e foi mandada, em julho de 2013, para trabalhar em Santarém, na confluência dos rios Tapajós e Amazonas, no Pará. A missão era instalar a Defensoria da cidade, que ainda precisava ser estruturada. Missão difícil. Nos primeiros meses de trabalho, uma usuária insatisfeita com o atendimento deu entrada em uma denúncia no Ministério Público, dizendo que a unidade não possuía estrutura para atender ao público. Natália recebeu o processo, assinado pelo Procurador da República Carlos, e se justificou, chateada, afirmando que ainda estavam em fase de aperfeiçoamento.

“O processo voltou do Ministério Público com uma nova petição desaforada!”, conta Natália. A ação seguiu por meses, indo e voltando, e aumentando a ira de ambos. Até o dia em que finalmente se conheceram. Foi em um almoço entre amigos. Estavam no restaurante, acompanhados de colegas tanto da Defensoria quanto do Ministério Público, e foram apresentados. “Reconheci pelo nome que aquele era o procurador que assinava os processos e imaginei que ele tinha muita raiva de mim, porque quase não me olhava nos olhos durante o almoço”, diz ela.

Após outros encontros casuais, Carlos adicionou Natália ao Facebook e puxou assunto sobre trabalho, sempre trazendo um novo motivo para entrar em contato. “Não sabia qual era a intenção dele, mas fui respondendo e nos comunicávamos sempre. Até que ele me convidou para viajar e ajudá-lo em um trabalho em uma Aldeia indígena. Não pude ir, mas na volta da viagem ele marcou para me mostrar as fotos”, fala Natália que, hoje, dá risada da situação.

A partir daí, resolveram-se todos os mal entendidos entre os dois, que trocaram beijos ao invés de farpas. Uma semana depois, ela foi removida para o interior da Paraíba, mas eles resolveram que continuariam se vendo sempre. Ele foi removido após um tempo para o Macapá, mas a distância parecia só aumentar a vontade de estar perto. Hoje, namorando, Carlos e Natália tentam inúmeras maneiras de ficar juntos. Quem sabe uma remoção para a mesma cidade? “A gente jamais ia se cruzar na vida se não fossem nossos cargos públicos, que nos colocaram no lugar certo, na hora certa. Ele é do Sul, eu do Nordeste, e nos encontramos no Pará! Quem poderia prever?”, desabafa ela.

SUSPIROS      
Se você, assim como eu (mera redatora dessas histórias inspiradoras), se pegou suspirando no decorrer dessa matéria, talvez seja a hora de olhar em volta, deixar os livros por alguns minutos, e aquecer o coração. Amor é um dos sentimentos que figuram o topo da lista de prioridades da vida. Negligenciar esta necessidade é optar por um caminho de tristeza.

Nem sempre a paixão vai aparecer entre os livros ou no trabalho, como aconteceu com Guilherme e Vivian, Thomaz e Analice, e Carlos e Natália, mas a pessoa certa pode estar esperando por aquele minuto em que você vai se desligar das obrigações e se permitir viver. E se o amor já chegou, cuide. Porque esse “bicho danado” precisa ser alimentado muitas vezes por dia! Aí vale todo tipo de amor! Amor de mãe, de pai, de tios, irmãos, primos, amigos... O importante é sentir e curtir. Porque de nada vale um cérebro gordinho acompanhado de um coração magrinho. Fica a dica! 

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